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terça-feira, 21 de maio de 2013

O Natal

O Natal

  O Natal é a festa da família, todos se reunindo à volta da mesa a fim de conviver, comer alguns doces característicos desta data festiva (rabanadas, filhoses...) e festejar o nascimento de Jesus. Pouco antes da meia-noite as pessoas saem de casa a fim de assistir à missa do Galo... e antes de entrar na igreja ficavam um pouco a conversar com os amigos e a aquecer-se no tronco de Natal. É que, nessa noite era (e ainda é), usual aproveitar-se um tronco de árvore (se possível, de sobreiro, por demorar mais tempo a arder e produzir mais calor) o qual é colocado no adro da igreja e aí lhe é lançado fogo, aquecendo todos aqueles que iam assistir à missa.

Fim do Ano

Fim do Ano
Uma semana depois (na noite da passagem do ano), é ainda habitual que alguns grupos de jovens (nos tempos antigos as raparigas não participavam) batam às portas, à noite, a fim de cantar as Janeiras, isto é, entoarem versos relativos à quadra do Natal e dos Reis.
É claro que tal era feito para que lhes fosse oferecida alguma dádiva (guloseimas e outros petiscos) que serviam para depois fazerem um convívio. É análogo à tradição mais citadina em que as crianças pedem o “Pão por Deus”, no dia 1 de Novembro, ao serão, ou do americano, entretanto deturpado, do Halloween, o dia das Bruxas.

O entrudo


O entrudo

Em Fevereiro festeja-se o Entrudo... E a forma muito particular que alguns dornelenses tinham de o celebrar consistia em “chorá-lo”: dois homens, ao princípio da noite de 2ª. para 3ª. feira de Carnaval, dirigiam-se aos montes sobranceiros — um ficava perto do cemitério e o outro na zona das belgas, ou mesmo no monte do Alqueidão (na outra margem do rio) — e munidos de funis, a servir de amplificador de som, começavam a falar um com o outro, em altos gritos, de maneira a que todo o povo ouvisse e começando em regra com a interpelação: “Oh! Companheiro!”. Nesse diálogo acusavam certas pessoas da aldeia de actos menos recomendáveis, que teriam sido praticados no decurso do ano, expondo-os assim à censura pública. O diálogo era interessante de se ouvir, pontuado por muitas exclamações e estribilhos, sendo que os visados eram, com certeza, os únicos a não achar graça! Terminava com a pergunta: “Mas isso é verdade?” Ao que o outro respondia: “É verdade e mais que verdade!” Tal costume tinha uma função moralizante pois ninguém desejava comportar-se de modo a, no Entrudo do ano seguinte, ser objecto de chacota pública.

Páscoa


Páscoa

No tempo da Páscoa era habitual (e ainda é) que o pároco se deslocasse a casa dos habitantes da paróquia levando um crucifixo a beijar; recordava-se assim a Paixão e a Ressurreição de Cristo, sendo simultaneamente desejadas Boas Festas. E é claro que, como os donos dessas casas queriam sempre obsequiar os visitantes oferecendo-lhes algo de comer (normalmente bolos e vinho), estes, caso não tivessem cuidado, arriscavam-se a chegar ao fim do dia com um razoável alegrete...
Quando a cruz regressava do Carregal, aonde o pároco, sacristão e comitiva a tinham levado, a fim de dar as Boas Festas, a população de Dornelas ia esperá-la à Portela; quando era levada ao Machial, era à Eira que o povo a ia esperar, sendo a sua chegada sempre anunciada pelo toque do sino. Dava-se então a imagem do Senhor a beijar aos presentes. O povo comparecia em peso e ajoelhava-se em duas grandes filas, a fim de a oscular enquanto eram entoados cânticos religiosos apropriados, designadamente a “Regina coeli” e a “Aleluia”.

Pescarias do Rio

Pescaria do Rio

     
Note-se que no rio se faziam boas pescarias,especialmente nos meses de Agosto e Setembro, apanhando-se em regra bastante peixe o qual, na segunda opção, era depois dividido proporcionalmente por todas as pessoas que haviam tomado parte na mesma. Após os quinhões feitos e de se terem deitado as competentes “sortes”, cada qual levava a parte que lhe competia para casa onde se procedia à necessária estripação e lavagem do peixe. Aquele que se não comia fresco (que era a maior parte) era salgado e seco, constituindo desse modo uma boa provisão para o Inverno.
As variedades mais frequentes de peixe que se encontravam no Zêzere eram os barbos e as bogas havendo muitos jovens que se distraiam a apanhá-los, construindo para tal “cóvãos” e “guilritas”.           Os “cóvãos” eram feitos de vergas de salgueiro e assemelhavam-se a um cântaro. No fundo colocava-se uma rodela de cortiça (com um buraco) onde se fixavam as vergas mais fortes que serviam de suporte às mais finas. Na boca do “cóvão” colocava-se um objecto semelhante a um funil, também de verga, que terminava por um buraco formado por vergas em bico. No fundo do funil eram colocadas borras de azeite ou sebo que serviam para atrair os peixes durante a noite. Como estes tinham de avançar pelo funil naturalmente acabavam por entrar no “cóvão”, sem que lhes fosse fácil sair dali, dado que o buraco de entrada era estreito. Isto acontecia durante a noite e de manhã eram levantados os “cóvãos”; tirava-se a rolha do fundo e era despejado o seu conteúdo, constituído por peixes pequenos. Depois voltavam a colocar borras de azeite, a fim de o preparar para o dia seguinte.
As “guilritas” eram armações de verga, que se colocavam no meio de pequenos açudes, de forma a interceptar os peixes (pois estes têm tendência a subir a corrente e não a descê-la); constituíam um sistema de armadilha semelhante ao dos “cóvãos”, mas mais sofisticado... Note-se, no entanto, que apanhavam poucos peixes, e apenas na Primavera...
Acrescento que no restaurante de Dornelas encontram-se, em exposição na parede, alguns destes objectos que antigamente eram usados para a pesca.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Brincadeiras de Criança


Brincadeiras de Criança
No intervalo das aulas, no período entre as duas guerras, muitos destes jovens entretinham-se, a jogar à “pinha” e ao “lobo”, a brincar com o “arco” e o “pião” e ainda a caçar aves por meio de “lousas” e “abuises”, ou pescar peixes no rio usando “cóvãos” e “guilritas”.
As caçadas aos passarinhos eram sazonais. No fim do verão quando o milho já estava maduro criavam-se nele muitos “carneiros” (isto é, pequenos vermes brancos) que atraíam os “taralhões” (avezinhas migratórias pequenas que apareciam no fim do verão e que comiam os ditos vermes; eram semelhantes a pardais, mas menos agitadas que estes). Então eram armadas “lousas” para os apanhar, constituídas por uma laje de forma aproximadamente quadrada, apoiada num dos lados por três pauzinhos com “encarnas” (pequenas cavidades) que permitiam que aqueles se apoiassem uns nos outros e aguentassem a “lousa”, inclinada sobre um dos lados. Na ponta dum dos pauzinhos — a chamada “agulha” — que se projectava para debaixo da “lousa” era colocado um “carneiro” a fim de atrair os “taralhões”. Quando o pássaro tentava comê-lo provocava o desengate dos pauzinhos e consequente queda da “lousa”. É claro que o pássaro ficava sob a mesma...
As “abuises” eram feitas da seguinte forma: utilizava-se uma verga forte de salgueiro (a qual tem muita flexibilidade), sendo espetada na terra a sua ponta mais grossa. No lugar adequado (em função do comprimento da verga já referida) espetava-se uma outra verga, mais pequena, que se dobrava e fazia aderir ao solo permitindo que nele se prendesse um pauzinho, o qual segurava um pinhão, semente de pinheiro muito cobiçada pelos “brita-caroços” (aves conírostras, semelhantes a estorninhos ou pardais). Em volta do pinhão armava-se um laço corredio que, puxado para cima, pela verga grande do salgueiro, prendia a ave pelo pescoço, enforcando-a. Parece complicado mas, na prática, não o era: muitos pássaros foram apanhados desta forma. Também se usavam “costis” (ratoeiras) de madeira e arame.